Após mobilizar mulheres em Mogi das Cruzes-SP com um “aulão” de autodefesa, vereadora e candidata a deputada estadual quer levar projeto para outras cidades do Alto Tietê e regiões de São Paulo
Depois de reunir mulheres num aulão gratuito de defesa pessoal em Mogi das Cruzes-SP, a vereadora Malu Fernandes (PL), candidata a deputada estadual nas eleições de 2026, quer ampliar a iniciativa para outras cidades do Alto Tietê e, posteriormente, para diferentes regiões do estado. A proposta é criar cursos gratuitos e recorrentes voltados ao público feminino, com técnicas práticas de prevenção, de reação e de proteção diante situações de risco.
A primeira edição ocorreu no último dia 22 (sábado), na Praça da Matriz, em parceria com a Academia Marangoni. A aula foi ministrada pela sensei Érica Nascimento, faixa-marrom em jiu-jitsu, e reuniu técnicas de postura, de posicionamento e de defesa contra golpes e abordagens invasivas.
Além do aprendizado prático, a atividade abriu espaço para acolhimento e troca de experiências entre as participantes, incluindo mulheres que já foram vítimas de violência doméstica, abuso ou assédio:
“Defesa pessoal começa antes do confronto. É sobre postura, posicionamento, confiança e saber como reagir quando uma situação de perigo acontece. Quero transformar essa experiência numa política pública que possa chegar gratuitamente a muito mais mulheres”, propõe Malu, que tem medida protetiva vigente contra o ex-companheiro.
Praticante de jiu-jitsu, a vereadora e postulante a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) relaciona a proposta à própria experiência. Segundo ela, a violência psicológica e o medo de denunciar o agressor, muitas vezes, aparecem antes da investida física, enquanto a proteção prevista na legislação vigente nem sempre se traduz em sensação de segurança no dia a dia.
A Lei Maria da Penha (11.340/2006) prevê medidas protetivas para a mulher que está sob risco. Uma vez expedida pela Justiça, a cautelar obrigada o agressor a cumprir regras severas, como o afastamento do lar e a proibição de contato.
Malu lembra, no entanto, que, muitos casos de feminicídio e outras formas de violência são cometidos por companheiros ou ex-companheiros que desobedecem a Justiça e vão ao encontro da vítima. Portanto, é preciso, segundo a parlamentar, oferecer outros instrumentos de proteção à mulher, e o curso de autodefesa é uma opção:
“Sou exemplo disso. Tenho medida protetiva desde maio deste ano, e em julho, meu ex-companheiro fez invertidas contra mim, expôs partes de um processo que corre sob sigilo e contou inverdades a meu respeito. Resultado: tive de aciona-lo novamente na Justiça. A lei Maria da Penha é divisor de águas no Brasil, mas sozinha não está dando conta de tanta barbaridade, audácia e desobediência por parte dos agressores”, observa a liberal.
Malu não quer apenas aulas de defesa pessoal de graça para as paulistas. Suas propostas neste tema vão além, como o funcionamento 24 horas de delegacias especializadas, atendimento psicológico e acolhimento às vítimas que denunciam seus parceiros ou ex-parceiros, além de iniciativas voltadas à autonomia financeira de mulheres em situação de violência:
“Delegacia aberta, Polícia presente, Justiça rápida e acolhimento especializado são medidas que podem fazer a diferença quando a vítima mais precisa. O Estado, afinal, tem obrigação constitucional de proteger e de agir com rapidez. Mas também quero que cada mulher tenha mais confiança, preparo e autonomia para reconhecer o perigo e saber agir perante ele. Defesa pessoal não resolve tudo, mas é importante para devolver segurança a quem, muitas vezes, já viveu com medo”, conclui a vereadora e postulante à Alesp.


