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São José dos Campos abre as portas do Museu da Casa Brasileira

por Douglas Spada

São José dos Campos passa a abrigar no sábado (27/06), o Museu da Casa Brasileira, referência nacional em arquitetura e design. A Residência Olivo Gomes, no Parque da Cidade, está de portas abertas para visitantes de todo o brasil. A exposição “Sob a casa, outras casas” já pode ser visitada de quinta-feira a domingo, das 10h às 17h.

A cerimônia oficial, realizada na manhã deste sábado, antecedeu a abertura ao público. A exposição une o acervo da instituição à arquitetura de Rino Levi e ao paisagismo de Burle Marx.

O Museu da Casa Brasileira, equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, conta com parceria da APAC (Associação Pinacoteca Arte e Cultura), da Prefeitura de São José dos Campos e da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, com patrocínio da EDP e da Embraer.

Exposição

Com curadoria de Giancarlo Latorraca, Isabel Xavier e Guilherme Wisnik, a exposição parte do princípio de que a identidade da habitação nacional é composta por múltiplas narrativas simultâneas.

Sob as linhas modernas da residência, emergem as experiências cotidianas de casas indígenas, rurais, ribeirinhas, sertanejas e periféricas por meio de peças produzidas por povos originários, objetos coloniais e imperiais, além de mobiliário do design moderno e contemporâneo.

A narrativa do morar é complementada por ensaios fotográficos de autores como Andrés Otero, Iatã Cannabrava e Milton Guran, que documentam desde palafitas amazônicas até apartamentos urbanos.

Referência

O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth, disse que o espaço receberá grandes mostras nos próximos anos. “Essa é a primeira de muitas exposições que irão passar por aqui. Não tinha lugar melhor para começarmos essa expansão pelo interior se não fosse na Residência Olivo Gomes. É o local ideal.”

A chegada da mostra ao Vale do Paraíba representa a descentralização de grandes acervos para além dos limites da capital paulista, movimentando o cenário cultural e a economia criativa de polos regionais.

“Trazer essa exposição do Museu da Casa Brasileira para o Vale do Paraíba é um exemplo prático de como enxergamos a descentralização da cultura. O interior paulista tem um protagonismo histórico e uma força própria que precisam ser reconhecidos e estimulados. São José dos Campos é uma potência cultural e econômica, com toda a estrutura necessária para acolher um projeto dessa magnitude, movimentando o turismo e a economia criativa da região”, afirmou Marília Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Esse cruzamento de diferentes acervos e manifestações culturais dentro de um espaço físico com relevância histórica propõe um novo olhar sobre a preservação e difusão do patrimônio do Estado.

“Levar esse conjunto de obras, objetos e histórias para São José dos Campos é uma forma de expandir o alcance de um acervo fundamental para a compreensão da cultura brasileira. Ao ocupar a Residência Olivo Gomes, um dos mais importantes exemplares da arquitetura moderna do país, a mostra cria um diálogo singular entre diferentes patrimônios e reforça a importância de descentralizar o acesso à cultura, promovendo encontros entre coleções, territórios e comunidades”, destacou Jochen Volz, diretor-geral da APAC (Associação Pinacoteca Arte e Cultura)

Espaços

A exposição organiza-se de forma contínua pelos cômodos originais projetados por Rino Levi, estabelecendo conexões entre a arquitetura modernista e os objetos cotidianos.

Na ampla área social do imóvel, o público encontra o núcleo “Diversas formas do sentar”, que contrapõe práticas indígenas ligadas ao sentar próximo ao chão ao mobiliário moderno e industrial do século XX.

O espaço reúne uma seleção de esteiras, redes, bancos, cadeiras, poltronas e sofás, que dialogam lado a lado com fotografias da série Casas do Brasil.

Ao descer para o pavimento situado na cota do jardim, o circuito apresenta o núcleo “Uma aproximação ao lugar”, cujo foco é resgatar a história da própria residência, do Parque Burle Marx, da antiga Tecelagem Parahyba e da ocupação histórica do Vale do Paraíba. O principal destaque desse ambiente é o retorno do sofá Olivo, peça desenhada originalmente por Rino Levi para aquela sala de estar e agora reintegrado ao seu local de origem especialmente para a mostra.


Sofá Olivo, peça desenhada originalmente por Rino Levi.

A evolução dos sistemas de armazenamento doméstico e a transição entre os modos de vida itinerantes e permanentes ganham forma no núcleo “Os armários nômades”, que reúne cestos indígenas, canastras e baús históricos.

Em seguida, o ambiente intitulado “Dois quartos distintos” evidencia as profundas diferenças materiais, sociais e culturais presentes na formação do país ao recriar dois espaços opostos: um dormitório de caráter rústico, inspirado nos primeiros tempos da colonização, e outro marcado pelo refinamento ornamental do período imperial.


Quarto com peças do século 19. 

O percurso da exposição se completa com o núcleo “O trabalho de triturar”, inteiramente dedicado aos utensílios domésticos ligados à preparação de alimentos. A reunião de pilões, moedores manuais, batedeiras e liquidificadores ilustra as transformações tecnológicas na rotina doméstica e as mudanças nos modos de viver, pontuando a passagem do ambiente rural para o urbano.

Serviço

Exposição: Sob a casa, outras casas – Museu da Casa Brasileira na Residência Olivo Gomes

Dias e horário de visitação: Quinta a domingo, das 10h às 17h

Local: Residência Olivo Gomes – Parque da Cidade

Endereço: Av. Olivo Gomes, 100 – Santana, São José dos Campos – SP

Entrada: Gratuita

 

Foto: Cláudio Vieira / PMSJC

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