Danos são referentes a casos registrados pelas vítimas junto à Polícia Civil; veja como se proteger
A Prefeitura de Jacareí e a Polícia Civil do Estado de São Paulo alertam os moradores sobre a frequência de estelionatos registrados este ano no município. Um levantamento realizado pela corporação estadual indica um montante de R$ 7.277.141,56 em prejuízos financeiros de vítimas, conforme contabilizado por boletins de ocorrência de janeiro a agosto de 2026. As autoridades orientam sobre os casos mais comuns e importantes maneiras de prevenção (leia mais abaixo).
No total, foram cerca de 2.200 casos de estelionato nos primeiros oito meses do ano. Os principais casos são referentes a golpes digitais, cujas principais vítimas são os idosos. No entanto, jovens e adultos também devem se precaver.
Prevenção
Entre os mecanismos de prevenção a golpes, a Polícia Civil destaca serviços como o “BC PROTEGE+”, o “MED” e o “Registrato”. Confira, a seguir, o funcionamento de cada um deles:
- “BC PROTEGE+”, do Banco Central: possibilita a comunicação entre cliente e sistema financeiro. Neste caso, o interessado informa aos bancos e demais instituições do sistema financeiro que ele ou sua empresa não têm interesse em abrir contas naquele momento, além de não aceitar ser incluído como responsável, seja como titular ou representante, em contas de outras pessoas ou empresas. O sistema foi pensado para evitar a abertura de contas fraudulentas. Para ativar a proteção, o morador deve acessar a área logada do “MEU BC”, utilizando sua conta gov.br nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas habilitadas. Dentro do sistema, deve ser ativado o serviço “BC PROTEGE+”.
- MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Pix: criado para facilitar as devoluções em caso de fraudes. O interessado deve registrar o pedido de devolução na sua instituição em até 80 dias da data em que foi feito o Pix. Na prática, o cliente reclama na sua instituição, o caso é avaliado e, caso ela entenda que faz parte do MED, o recebedor do seu Pix terá os recursos disponíveis bloqueados na conta. O caso é analisado em até 7 dias. Se for concluído que não houve fraude, o recebedor terá os recursos desbloqueados. Se for fraude, em até 96 horas o cliente recebe o dinheiro de volta (integral ou parcialmente), se houver recurso na conta do fraudador. Caso a devolução tenha sido feita de forma parcial, o banco do fraudador deve realizar múltiplos bloqueios ou devoluções parciais sempre que forem creditados recursos nessa conta – até que se alcance o valor total da devolução. O serviço também pode ser utilizado em transações em duplicidade.
- Registrato: sistema do Banco Central que permite a consulta de diversos relatórios com informações do cliente ou da sua empresa. As informações auxiliam no acompanhamento e na organização da vida financeira, possibilitando a identificação de onde estão as dívidas e a situação de cada uma delas. Ele possibilita ainda a identificação de contas que a pessoa possa não reconhecer, a conferência de chaves Pix cadastradas e outros serviços.
Golpes
A Polícia Civil e a Prefeitura também alertam sobre a recorrência de determinados tipos de golpes. Confira, a seguir, os mais comuns:
- Falso parente: os criminosos se passam por um familiar, alegando que trocaram o número de telefone e que precisam de ajuda urgente para realização de um pagamento. Neste caso, a polícia orienta que nenhuma transferência seja feita antes que a identidade do parente seja confirmada por meio de chamada de vídeo, ligação ou contato com outros parentes.
- Falso advogado: os criminosos obtêm informações sobre processos judiciais por meio da internet e entram em contato com a vítima informando que uma ação judicial foi ganha e que, para receber o suposto dinheiro, a vítima precisa realizar depósitos, pagamento de taxas ou outros serviços via PIX. O golpe pode se utilizar, inclusive, de chamadas de vídeo com falsos juízes/promotores para trazer credibilidade ao caso. A orientação é para que os moradores confirmem a veracidade da informação por meio de seu advogado em canais já conhecidos ou pessoalmente.
- Triangulação na compra e venda de bens: o criminoso copia um anúncio de veículo, celular, imóvel ou outro bem e o republica por um valor mais baixo para atrair interessados. Assim, ele atua como intermediário entre um vendedor e um comprador sem que eles saibam e orienta as partes a não comentarem sobre os valores. No pagamento, o comprador transfere o dinheiro para a conta do golpista, enquanto o vendedor aguarda o recebimento em sua própria conta. Neste caso, a orientação é para que comprador e vendedor conversem diretamente sobre todos os detalhes da negociação e desconfiem de pedidos de sigilo, intermediários desconhecidos e anúncios com preços muito abaixo dos praticados no mercado.
- Falso anúncio de bens: os criminosos anunciam produtos de pequeno valor, como geladeiras, celulares e televisões, por preços muito atrativos e negociações simples. Após receber o dinheiro, o golpista desaparece. A polícia orienta que o consumidor desconfie de ofertas com preços muito baixos e, sempre que possível, veja o produto antes de efetuar qualquer pagamento. Também recomenda o uso de plataformas que ofereçam mecanismos de proteção ao comprador.
- Falso gerente de banco: os criminosos se passam por gerente ou funcionário de um banco e informam sobre suposta compra suspeita, tentativa de fraude, invasão da conta ou clonagem do cartão. Solicitam senhas, códigos, dados bancários e orientam a realização de transferências para outra conta. A polícia orienta que os bancos não solicitam senhas, tontense, códigos de autenticação ou transferências por telefone. Ao receber esse tipo de ligação, encerre o contato imediatamente e procure o banco pelos canais oficiais, utilizando os números impressos no cartão ou disponíveis no site oficial da instituição.
- Menor de idade: os criminosos usam perfis falsos para iniciar conversas com vítimas e, após ganharem confiança, enviam ou solicitam fotos íntimas. Na sequência, outra pessoa entra em contato se apresentando como responsável e alegando que a pessoa envolvida na conversa seria menor de idade. A vítima passa, então, a ser ameaçada com supostos denúncias à polícia, processos judiciais ou exposição pública, sendo pressionada a fazer pagamentos para evitar as consequências. A polícia orienta que os moradores evitem compartilhar fotos íntimas e, caso receba ameaças, não realize qualquer pagamento. As conversas, perfis, números de telefone e comprovantes de contato devem ser preservados.
- Site falso: os criminosos criam sites que imitam lojas conhecidas ou anunciam produtos com preços muito abaixo do mercado. Após a realização da compra, o produto nunca é entregue. A polícia orienta que, além da reputação da empresa, o interessado verifique o tempo de existência do site e desconfie de ofertas com descontos excessivos. O endereço eletrônico (URL) deve ser conferido e, sempre que possível, use formas de pagamento que ofereçam algum mecanismo de proteção ao consumidor.
- Taxa para emprego ou serviço: os criminosos anunciam vagas de emprego, oportunidades de concursos ou prestação de serviços com promessa de contratação rápida. Após despertar o interesse da vítima, informam que é necessário pagar uma taxa. Depois do pagamento, o suposto emprego ou serviço nunca se concretiza. A polícia orienta desconfiança sempre que qualquer empresa ou pessoa exija pagamento antecipado para contratação.
- Falsos débitos, multas, impostos e dívidas: os criminosos enviam mensagens ou até realizam ligações informando uma suposta dívida. A vítima, então, é direcionada para boletos falsos, QR Codes de Pix ou sites fraudulentos, efetuando pagamentos diretamente aos golpistas. A polícia orienta que, antes de realizar qualquer pagamento, o morador verifique a existência da dívida pelos canais oficiais da instituição.
- Pirâmide financeira e investimentos milagrosos: os criminosos prometem investimentos com rendimentos muito acima dos praticados pelo mercado, frequentemente garantindo lucros rápidos, sem riscos ou com retornos diários e mensais elevados. Em muitos casos, os pagamentos realizados aos primeiros participantes são sustentados pelo dinheiro de novos participantes, caracterizando um esquema de pirâmide financeira. Quando o fluxo de novos integrantes diminui, o esquema entra em colapso e a maioria das vítimas perde o dinheiro investido. A polícia orienta desconfiança a promessas de lucro garantido ou de ganhos muito superiores aos oferecidos por instituições financeiras reconhecidas.


